MAIORIA PAGA NADA POR
ÁLBUM DO RADIOHEAD

Banda não estipula preço para download de músicas e 62% dos fãs baixam de graça

sxick.jpg

A banda de rock Radiohead permitiu aos fãs que pagassem quanto quisessem pelas cópias digitais do último CD do grupo, In Rainbows, e mais da metade deles não pagaram nada pelo download a partir do site http://www.inrainbows.com. Cerca de 62% das pessoas que baixaram o álbum nas últimas quatro semanas de outubro optaram por não dar um centavo aos roqueiros britânicos. Mas os 38% remanescentes voluntariamente pagaram em média US$ 6.

“Novo álbum do Radiohead inova na estratégia, mas não na música”

por Ian Youngs – BBC

Pedi o novo álbum do Radiohead, In Rainbows, pela internet duas vezes. Na primeira vez, paguei zero por motivos de pesquisa: queria saber se isso realmente podia ser feito. E funcionou: o processo de pedido do álbum pulou a parte que pede os dados do cartão de crédito e foi diretamente para a tela de confirmação do pedido.

Mas logo minha consciência começou a incomodar. Afinal de contas, eu iria ouvir o álbum e, talvez, gostar. Lembro dos velhos tempos, antes da época dos downloads, quando não se conseguia nada de graça, e do argumento de que a banda e todo o resto precisavam ser pagos. E isso dava um sentimento de culpa.

Mas o que é um preço justo? Decidi, na segunda vez, que pagaria 9,82 libras (cerca de R$ 36), pois esse seria o preço médio de um CD na Grã-Bretanha em 2006.

As instruções para os dois downloads chegaram por e-mail logo pela manhã e o processo foi fácil e rápido. O e-mail tinha um link que iniciava automaticamente o download, precisando de alguns minutos para que as músicas aparecessem em um arquivo zip. Simples.

In Rainbows é o sétimo álbum de estúdio do Radiohead e o estilo não mudou tanto em comparação aos últimos três álbuns – Kid A, Amnesiac e Hail to the Thief. O novo álbum tem batidas espalhadas, orquestrações cheias de devaneios, gemidos incompreensíveis. E não tem muitos gemidos de guitarra, não tem muita força emocional ou boas canções. Como ocorreu com os últimos três álbuns (e no trabalho solo de Thom Yorke), provavelmente vou ouvir algumas vezes, sentir que deve haver alguma excelência artística que não compreendi completamente e então esquecer tudo.

Lembro de inicialmente não ter tido muita certeza a respeito do álbum OK Computer. E finalmente percebi que era brilhante, depois de ouvir uma meia dúzia de vezes. Mas este álbum parece ter menos conteúdo para entrar aos poucos na vida de uma pessoa.

Pensei que o Radiohead deveria ser como um mestre da invenção e da inovação, mas parece que eles ficaram presos na mesma rotina criativa por muito tempo.

Estou revendo minhas visões a respeito do valor deste álbum. Mas, infelizmente, não existe um espaço na página do Radiohead para pedir o dinheiro de volta, se o consumidor achar que pagou demais. Se mais grandes bandas seguirem o caminho do Radiohead, as pessoas vão se acostumar a pagar zero ou mesmo metade do que paguei, 4,91 libras (cerca de R$ 18), por um lançamento oficial.

Os preços dos outros álbuns vão começar a parecer altos demais e as gravadoras e lojas de CDs vão enfrentar ainda mais problemas do que já estão enfrentando agora. A idéia do Radiohead, de o consumidor pagar o quanto quiser, pode ser um truque para ser usado uma única vez ou pode ser o futuro da indústria fonográfica.

Mas talvez a revolução digital tenha dado poder demais às bandas. Talvez o Radiohead precise de uma gravadora. Talvez eles precisem de alguém que diga a eles que o que estão produzindo está muito igual e, na verdade, não é tão bom e talvez eles deveriam tentar algo diferente. E talvez a gravadora precise deles, para pegar uma fatia nas vendas para financiar o próximo Radiohead, seja quem for.

O GÊNIO DE IRARÁ

tom3.jpg

Compositor, cantor, arranjador e ator nascido em 11 de outubro de 1936, em Irará (BA), Antônio José Santana Martins, o Tom Zé é uma das figuras mais originais e controvertidas da MPB. Aprendeu a gostar de música ouvindo rádio em sua cidade natal a ponto de decidir estudar música na Universidade da Bahia, em Salvador.

Lá teve aula com Koellreuter, Smetak e Ernst Widmer, e aprendeu harmonia, contraponto, composição, piano, violoncelo. No começo da década de 60 conheceu Gilberto Gil, Gal Costa, Caetano Veloso e Maria Bethânia, com quem montou um grupo para os espetáculos “Nós, Por Exemplo” e “Velha Bossa Nova e Nova Bossa Velha”.

Com esse grupo foi para São Paulo, onde participou do espetáculo “Arena Canta Bahia” e do disco-chave para o movimento tropicalista, “Tropicália ou Panis et Circensis”, lançado pela Philips em 1968 e que continha sua composição “Parque Industrial”.

No mesmo ano conseguiu o primeiro lugar no Festival de MPB com “São São Paulo, Meu Amor” e apareceu seu primeiro LP individual, “Tom Zé”, seguido por outros discos na década de 70. Seu álbum “Todos os Olhos”, de 1973, foi considerado inovador demais, e não teve boa aceitação, afastando Tom Zé da mídia brasileira, a despeito do imenso sucesso de seus conterrâneos.
Gravou outros discos de menos sucesso, como “Correio da Estação do Brás” (1978) e “Nave Maria” (1984). No fim da década de 80 sua carreira deu uma reviravolta quando o músico David Byrne descobriu num sebo o inovador “Estudando o Samba”, LP em que Tom Zé (com parceiros como Elton Medeiros) mexe nas estruturas do principal gênero musical do país. Fascinado, Byrne lançou o compositor no mercado internacional por meio de seu recém-criado selo, Luaka Bop.

O disco “The Best of Tom Zé”, editado por Byrne em 1990 foi aclamado pela crítica, ficando entre os dez melhores da década em todo o mundo, na avaliação da revistas Rolling Stone. Excursionou pela Europa e Estados Unidos durante a década de 90, com bastante sucesso, o que só se refletiu no Brasil em 1999, com o lançamento de seu CD “Com Defeito de Fabricação” no Brasil.

A partir daí Tom Zé voltou ao cenário da música brasileira. Entre suas músicas destacam-se “Mã”, “Um ‘Oh!’ e um ‘Ah!'”, “Nave Maria”, “Cademar” (com Augusto de Campos), “Xiquexique” (com José Miguel Wisnik).

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NA REVISTA CAROS AMIGOS

Tom Zé – (começa entregando Os Sertões, de Euclides da Cunha, presente para a redação) Escrevi aqui (na dedicatória): “Para pleitear um cantinho entre caríssimos amigos, esse Os Sertões, livro que me tornou analfabeto”. E tem outra coisa curiosa aqui, que é um momento em que ele (Euclides) cita Pedro Taques, o historiador que, talvez castigado por ter dito tal coisa, tornou-se nome daquela estrada xexelenta que liga Santos e o litoral sul. Pedro Taques disse, endossado pelo próprio Euclides, que os nordestinos são na verdade os primeiros bandeirantes e, porque ficaram insulados naquela região, sem comunicação, acabaram se tornando os paulistas que mais puros se conservaram. Quer dizer, nós somos a fina flor da Paulicéia. (risos) É claro que isso é uma provocação para vocês me perguntarem por que esse livro me tornou analfabeto. Bom, é melhor que vocês comecem…

José Arbex Jr. – Então, por que ele te tornou analfabeto?

Tom Zé – É o seguinte: eu tinha quinze anos, tinha sido um aluno normal da escola primária em Irará, mas na Bahia (Salvador) eu comecei a ir mal no ginásio. Lá pelo 3° ano, depois de várias peripécias, de procedimentos problemáticos com a família, de fugir de casa, de roubar dinheiro do meu tio, de dizerem que eu era um delinqüente em potencial, lá pelo 3° ano de ginásio, eu compliquei tanto que fiquei na segunda chamada. Não sei se existe isso ainda, é como se você fizesse recuperação de todas as matérias, estudando durante todo o período de férias, como castigo. E minha mãe me dizia: “Seu vagabundo, agora você tem que estudar.” E me botava de 1 às 5 horas da tarde num quarto trancado com os livros. Mas eu tinha dois gibis. E veja que eu era proibido de ler gibis, mesmo no lazer, porque sou de uma família de comunistas e meus tios me diziam: “Você não pode nem ler gibi nem tomar Coca-Cola”. (risos) Porque eles queriam levar os Estados Unidos à falência. (mais risos) E o tal gibi tinha ainda um segundo argumento contra ele que era: “Se você lê, com quadrinho desenhado, não usa a imaginação”. Por isso eu podia ler livros, mas gibi, não. Então eu estava no quarto de 1 às 5 horas e, quando os meus gibis acabaram, começou o tédio. Os livros da escola eu não suportava, havia um livro em cima do nicho lá de casa. Era Os Sertões, de Euclides da Cunha. Eu olhava aquela encadernação escura e dizia: “Puta que pariu, isso deve ser o diabo”. Porque eu ouvia os adultos falarem daquele livro, dizendo que era uma maravilha, que o Euclides da Cunha falava sobre o nordestino dizendo que o sertanejo é antes de tudo um forte, que está sempre em atividade, observando o mundo em volta de si… uma hora lá eu peguei o tal livro. Abri. Primeira parte, “A Terra”: “Os terrenos terciários que formam o território brasileiro…” Um livro muito difícil, eu, com quinze anos, fui saltando, saltando páginas, aí parei na segunda parte: “O Homem”. Ai, Jesus, que susto! Comecei a ler e me assustei ao reparar que ele falava da criatura que eu atendia no balcão da loja de meu pai. O homem da roça. E esses homens, na verdade, eram nossos avós que vieram da península Ibérica nos séculos 16 e 17. A historia do Brasil chama a todos de portugueses, mas tinha muito sangue árabe e judeu ali também. Na Idade Média, a invasão dos árabes em Portugal e Espanha durou do século 7 ao século 15, enquanto naquele momento toda a Europa era civilizada pelos bárbaros cristãos, godos, visigodos, bretões – bárbaros, como diz o nome, a península era educada pelo povo mais sábio do mundo naquele momento, e foi isso que eu encontrei na loja de meu pai.

tom2.jpg

José Arbex Jr. – Mas você ainda não explicou o analfabeto…

Tom Zé – Ah, sim, é justamente por isso. (risos) Um povo que lê, um povo alfabetizado, que sabe escrever não tem medo de perder sua cultura. Escreve livros, bota nas bibliotecas e vai ver novelas. Não se preocupa com nada, está tudo ali escrito. O sertanejo é diferente, e é esse tipo de analfabeto que eu sou e que Os Sertões me mostrou que era o que eu devia continuar a ser. O sertanejo tem que falar cultura, dançar cultura, cantar cultura, fazer pentimento dos conhecimentos esotéricos na paisagem das caatingas, num constante esforço para não perder a cultura dos seus avós, que ele ama mas não tem como registrar. Essa cultura é muito diferente da nossa, é um processo de estruturação e lógica que não conhece Descartes e Aristóteles e que não está fundado na palavra escrita. É esse tipo de analfabeto que eu continuo sendo. A brincadeira é essa. Está mal explicada, porque não sou capaz de dar entrevistas. Quem dá entrevista é uma pessoa que tem pensamento original, cultura. De forma que, se vocês forem fazer comigo uma entrevista, eu já estou fracassado. Mas, como eu sou sertanejo, e filho de família metade comunista, metade reacionária, né?, (risos) talvez eu possa fazer armadilhas para que vocês me façam perguntas que eu saiba responder, ou melhor, que tenha pensado sobre. Eu não posso responder sobre qualquer coisa, isso não! (risos)

Cláudio Júlio Tognolli – Tom Zé, quando vi você no MTV Video Music Awards ao lado do Caetano, há pouco, lembrei de uma cena contada pelo Luís Calanca, do Baratos Afins, que soltou o teu disco em 1984. Foi uns meses atrás, lá na Galeria do Rock: “Você não sabe quem acabou de sair daqui, o Tom Zé!” E me disse que você escreveu um artigo contando como o David Byrne foi pro Rio e tava num sebo de discos, pegou teu disco, ouviu, achou obra de gênio e depois ligou de Nova York pro Caetano…

Tom Zé – Não, ligou pro Arto Lindsay, que disse a ele: “Ah, é do tropicalismo e tal e tal”. Aí o Matinas Suzuki fez uma entrevista com o David Byrne no apartamento dele, e viu escrito em cima da mesa: “No Brasil, procurar Tom Zé”. E escreveu isso no jornal como se não fosse nada. Neusa, que conhece essas coisas – é a pessoa intelectual lá de casa, minha mulher, eu sou o analfabeto que ela protege (risos) –, Neusa deu um grito feito uma índia, que nunca tinha dado, né? Esse negócio de David Byrne foi surpresa. Eu estava pra largar a música naquela ocasião, não dava mais dinheiro, tinha passado decepções. Aí o Byrne aparece. Fiquei desorientado: “O que é que eu faço agora?” Eu tinha combinado de ir para Irará, trabalhar no posto de gasolina de meu sobrinho Dega, e aí me aconselharam: “Deixe esse negócio de Irará por enquanto, fique por aqui”. Então eu fiquei em São Paulo, eu e Neusa, nós telefonamos para algumas pessoas e, quando Caetano foi consultado, disse: “Tom Zé, acho que é Tuzé de Abreu, porque ele é muito amigo do Tuzé de Abreu”. Eu caí do cavalo e falei pra Neusa: “Parece que tudo foi um sonho mesmo, deve ter sido engano”.

Cláudio Júlio Tognolli – Mas você escreveu um artigo falando que o Caetano te prejudicou? Que deu o nome errado, que não era o teu?

Tom Zé – Não, eu escrevi coisas… Mas isso eu já falei! Sabe o que é? Se eu ficar falando em Caetano todo dia, fico dando uma importância tão grande a isso que prejudica minha própria capacidade de trabalhar. Então tenho que deixá-los em paz, vamos encerrar essa história, que eu proponho contar de uma maneira geral e honesta. Foi assim: eu fui enterrado vivo duas vezes. A primeira em 1940, porque minha família saía do campesinato e ia pra universidade e minha mãe, por uma rebeldia qualquer – talvez seja a única coisa artística que tenha havido na família antes de mim –, disse que não estudaria mais em colégio de freira. Meu avô, coitado, lá no interior, que não sabia o que fazer, teve que trazê-la pra Irará, porque, se não queria colégio de freira, ia botar ela onde? Numa pensão, uma moça? Então, minha mãe veio e ficou naquele buraco sem fundo, buraco negro onde ela foi ficando no barricão, uma moça com trinta anos já! Mas casou com meu pai, seu Everton, homem simples de Irará, mas um homem muito grande de coração. E então começaram a nascer em Irará aqueles bichinhos horrorosos, mal-educados. Eu e meus irmãos, ah, merecíamos morrer! E criança compreende tudo! Que a gente merecia morrer a gente sabia, a gente lia nas palavras de minha mãe, no não-verbal, no próprio ambiente a gente lia. E eu, digamos assim, escolhi 1940 para ter sido enterrado. Eu tô vivo hoje graças à psiquiatria e à minha irmã Guile, que me salvou, senão eu estava no manicômio. Isso é sem o menor charme, né? Pois muito bem. Então, depois, eu fui enterrado a segunda vez na divisão de espólio do tropicalismo. Em 1970… nossa, eu tinha tanta coisa pra falar aqui e tô falando disso! Em 1970 eu fui enterrado a segunda vez, porque em 1968 o tropicalismo existiu, em 1969 acabou, todo mundo viajou e em 1970 fui enterrado, não é porque alguém me enterrou, nem porque a imprensa não gostasse de mim, não é por nada do que possa parecer dentro dos papéis que certas pessoas são chamadas a exercer no Brasil, não é isso. Eu fui enterrado porque é uma coisa normal, se seu trabalho ainda está incompleto, se ele ainda não pode ser considerado uma estaca para fincar no chão, se ele não pode, como um pênis, furar a terra e… e é a terra como mãe, o pênis como céu e pai. É como Cronos comendo seus filhos, é normal! Em Irará, também se diz assim: “Você tá me chamando de veado? Por que, bicho? Eu não sou homem mesmo, não. Meu pai ainda não morreu, como é que eu posso ser homem?” Quer dizer, isso é mitologia grega, não sei de que maneira foi parar em Irará. Mas foi. Michel Simon, aquele professor belga que foi muito importante no teatro francês e no teatro mundial, foi na Bahia já bem velhinho, e eu era estudante de música e ele me pediu pra ilustrar as conferências dele com umas certas canções que me dava escritas. Eu fazia um arranjo. Nisso me deu uma canção chamada A Pastorinha (e canta), Destes montes venho saindo/ destes montes venho saindo/ à procura do meu gado/ que perdi lá no roçado/ lá em terra de afogado… Daí ele dizia: “Sabe de onde vem essa pastorinha? É da tragédia grega, do personagem da tragédia grega”. E como é que esse diabo veio parar na Bahia, no bumba-meu-boi? Então, tudo bem, só pra brincar de como o mundo anda pelo avesso. Então eu fui enterrado em 1970, como numa história mitológica, e não por alguma pessoa ou alguma instituição, não tenho queixa de ninguém nem de nada. Fui enterrado profundamente, sim, e depois David Byrne me tirou desse buraco. Esse buraco era muito profundo, era preciso tão cuidadosamente me ignorar, era preciso que uma estrutura de cimento e concreto muito forte estivesse sobre mim, que não fosse possível eu sair dali. Bom, eu só posso pensar isso hoje: “Por que diabo, será que eu era importante?” Só posso concluir… Puta que pariu, isso aí tem que ser um negócio do tipo: “Esse cara não pode existir!” Muito bem, agora, na hora que eu, por acaso, começo a ser tão bem-sucedido é o caso de dizer: “Pô, realmente, eu sou um cara perigoso!” Só posso dizer assim.

Cláudio Júlio Tognolli – Mas tentaram ou não dar o nome…

Tom Zé – Deixa eu falar de outras coisas… ó, deixe! Olhe, É o Tchan foi um fracasso, não vendeu nada, os discos estão todos lá empilhados. Uma péssima notícia. (gargalhadas nossas) Sabe o que é? Se eu ficar falando em Caetano todo dia, fico dando uma importância tão grande a isso
que prejudica minha própria capacidade de trabalhar

Cláudio Júlio Tognolli – Mas tentaram ou não tentaram?

Tom Zé – Pera aí, agora eu queria falar em Feagacê e no problema do É o Tchan mental com o que ele colabora para a imprensa brasileira. O que desespera é que todos são contra Feagacê, todos o odeiam, mas, na hora de agir, fazem a mesma coisa que Feagacê faz. Isso é triste, que diabo de coisa fizemos para receber um castigo desses, imitar Feagacê? Procedemos assim porque não temos em disponibilidade outra estrutura de pensamento, estamos falidos de utopia e depauperados de filosofia, somos na verdade governados pela USP e por um professor chamado Fernando, que dirigiu o departamento de filosofia e agora usa o nome artístico de Feagacê. Então, quero dar um exemplo do que eu chamo odiar Feagacê e ser o cavalo de Feagacê, como diria o professor Paulo Freire na sua tese de hospedar o opressor. Por exemplo, o… como é o nome dele? Da Folha de S. Paulo?… O Dimenstein. Ele fez uma reportagem convincente sobre a prostituíção entre as universitárias. Muito bem, será que é honesto, nós da imprensa fazermos isso? Será que a profecia de J.P. Sousa (o regente americano de banda de coreto), que ao visitar a primeira exposição de fotografia, naquela ocasião uma arte inaugural, disse: “Mas isso é o bordel sem paredes!” Será que queremos confirmar essa profecia do maestro? O que eu quero dizer é que nós vendemos nossos jornais nas bancas e as bancas de revistas são um açougue puro. Eu sou a imprensa, eu falo contra a prostituição e eu mesmo vendo a prostituição. Quer dizer, eu sou Feagacê, eu falo contra a pobreza e provoco a miséria. Isso não é mais Feagacê, isso é Feagacê ao quadrado. Por favor, escrevam assim (e mostra escrito no papel), FHC2. Parece fórmula matemática, não é? Mas continua no departamento de filosoporria, como eu canto no Defeito 11 Tangolomango. A tradução de FHC2 é Fernando Henrique Cachorra no Cio. O nome do “maior amigo do homem” está no feminino porque eu não estou botando apelido pornográfico no presidente, estou falando na imprensa que parece uma cachorra no cio. Não se ofenda, mas me responda: o que acontece quando Feagacê vai, por exemplo, para a rua Maranhão? Toda região ali, inclusive a praça Buenos Aires, fica entupida de repórteres. Por que nós, da imprensa, temos que tratar um presidente da República como se fosse uma vedete? Outro dia, eu estava em Zurique e tinha um funcionário público que de vez em quando passava pra cá e pra lá. No princípio, eu pensei que fosse técnico de som. Depois me disseram que era o presidente da República deles lá. Ninguém tava botando microfone na boca dele, o pessoal nem ligava para aquele funcionário um pouco mais engravatado. Então, será que a gente precisa virar uma cachorra no cio, e sair atrás de qualquer funcionário como se fosse uma vedete prestes a tirar a roupa? De forma que assim o presidente parece uma Xuxa. Nem a rainha Elizabeth, quando se desloca de Westminster, para lavar a calçola no Bridge Royal Club, movimenta tanto jornalista.

Flávio Tiné – Você ainda não falou sobre seu início de carreira em São Paulo, quando chegou aqui com todo aquele grupo de baianos…

Tom Zé – Eu estava numa fase muito fraca… Quando eu parava no banco,
os seguranças começavam a segurar o revólver, que aquela Brasília era quase um assalto.

Flávio Tiné – Por que você veio para São Paulo?

Tom Zé – Porque só aqui eu podia fazer carreira. Me disseram: “Não vá para São Paulo, que você tem asma e São Paulo é frio”. Quando cheguei aqui tava um calor, era 11 de agosto de 1965, um calor! Me levaram à praça Roosevelt, que não tinha nada, era só calçamento e saía aquele negócio assim que entortava a visão, sabe como é? Parecia o Nordeste a praça Roosevelt! E então nós ficamos ali esperando Augusto Boal, que vinha pra começar aquela coisa maravilhosa que foi dois meses e meio de treino para fazer Arena Canta Bahia, outro curso universitário que eu fiz! Cada montagem de peça de teatro – a minha foi uma com Augusto Boal e outra com o Rubens Corrêa – é um curso universitário de dois meses e meio! Mas tem uma coisa que eu queria dizer pra vocês sobre o meu começo e a minha dívida com a escola pública.

Regina Porto – Então diga!

Tom Zé – Foi assim: eu tinha dez anos, a Fonte da Nação é de onde vinha toda a água potável de Irará. A água que se tirava nas casas era cavar uma cisterna enorme, 60 metros, não era como aqui, que meia dúzia de palmos tira água. E era água salobra, que só servia pra banho e pra lavar prato, não servia pra cozinhar nem pra beber. Então, a água boa vinha da Fonte da Nação. Um dia, eu fui a essa Fonte da Nação e… minha filha! Que coisa inacreditável! Irará é um planalto, chama Terra que Primeiro Vê a Luz do Sol, é um nome indígena, significa planalto. Mas tem uma rampa que vai ali pelo beco do Antônio Alfaiate, vai pelo campo de futebol e desce pra Fonte da Nação. Quando você chega a certa altura, tem um plano de visão, amplo, como Cecil B. de Mille, aquelas coisas fantásticas. A da Fonte da Nação é assim: aqui tá um gradeado junto do morro com a água saindo, os aguadeiros todos tirando água, enchendo os barris, todo mundo cantando, falando, conversando; aqui, uma espécie de campo de futebol, um gramado imenso com as lavadeiras espalhando tecidos de todas as cores, chitões, coisas vermelhas, amarelas, brancas, tudo brilhando por causa do anil que se usava lá e por causa da possibilidade de ver claramente do sol nordestino, e tudo isso quase que me arrancou do chão! Quando eu estava assim quase pra arrancar do chão, eu ouvi o som… porque o filme tinha som, o Cecil B. de Mille tinha, como é que chama, track? Tinha banda sonora. O que era ali? Era “Meeeeeeu”… – aquela voz fanhosa, (canta) “A mulher do cego morreu” – terceiras vozes paralelas, aquelas senhoras velhas cantando agudíssimo. Aquele som subia de lá de baixo como se fosse uma caixa de eco, aquilo me pegou, me transtornou. Então eu gosto de dizer – aí sobre o meu começo – que fui depois pra uma universidade pós-modernista, estudei como se fosse um príncipe numa escola maravilhosa, professores estrangeiros, os melhores professores do mundo! E aquele reitor louco, chamado Edgard Santos, botava os melhores professores do mundo num país miserável. Quer dizer, meu estudo custou a fome e a morte de muita gente e é por isso que eu digo que devo! Eu devo e devo muito à escola pública.

Cláudio Júlio Tognolli – Você já se pegou fazendo algum tipo de autocensura, às vezes até para se adaptar aos tempos? Pelo seguinte: lembro que fui ver um show teu em janeiro de 1978, no Paulicéia Desvairada, a casa que era do Nelson Motta, umas garotas começaram a berrar, você pegou o microfone e na hora, não sei se foi de improviso, saiu: “Filha, contra o tédio te receito o dedo médio”. Aí imagino você falando hoje isso num palco, na época do politicamente correto…

Tom Zé – Essa música se chama O Dedo, que é o pênis multiplicado. E aí diz assim: “Menina, pra tanta dor, dedo de doutor! Menina que tem receio, dedo pelo meio! Menina que tem saudade, dedo pela metade! Menina que tem não sei o que lá, dedo por baixo da mesa! Menina, para o seu tédio, receito meu dedo médio! Menina, pro teu chorinho, receito meu dedo mindinho!” – que é um negócio machista, filha da puta, mas enfim é uma coisa bonita. (risos)

tom.jpg

Cláudio Júlio Tognolli – Quando os Rolling Stones vieram aqui a primeira vez, o Keith Richards ficou numa fazenda em Matão e falou que aprendeu a afinar a guitarra dele num mi aberto que é uma técnica de viola caipira. A gente sabe que 90 por cento das músicas dos Rolling Stones são feitas com essa afinação diferente. Então eu te pergunto: tem alguma coisa nova sendo produzida no Brasil, hoje, que poderia contribuir para exportar tecnologia?

Tom Zé – Ótimo! Deus lhe abençoe. Olhe, o Brasil é o único país no mundo que tem lastro para endossar sua moeda chamada música. A Europa do norte, Júlio Medaglia é marido de uma alemã, Sabine, e costuma dizer que aqueles países estão exangues, miseráveis, não têm mais nada. E realmente, um dia eu estava na Suíça, num restaurante num castelo, e tinha um casamento numa daquelas salas imensas. E tinha músicos populares, eu falei: “Vamos ver esses músicos, que legal”. Cheguei lá, sabe qual é a música deles? Yoru – leiii-tiii… É música popular deles, fora isso era a música mexicana dos anos 60. Não se pode acreditar. Vai lá na Bahia que tem 38 maneiras de improvisar num martelo galopado, num isso, num aquilo, num aquilo outro. Vai em Pernambuco ouvir todos aqueles gêneros. Vai no Maranhão. E aí eu vou contar uma coisa: a governadora do Maranhão chamou dois irmãos metralhas nos Estados Unidos, botou dentro de um avião, com um estúdio hoje que cabe quase dentro de um livro. É um estudinho assim. Levou para São Luís, reuniu todas as bandas folclóricas, todos os grupos folclóricos de todo o Maranhão, pra esses moleques gravarem e levarem para a América do Norte e oferecer a compositores que queiram fazer músicas com essa influência ou com esse material, e depois mandarem uma porcentagem pras crianças daqui. Olha que coisa inocente dessa governadora – que Deus a abençoe e leve pro céu com os anjos. (risos) Imagine você, sou músico, posso testemunhar isso, imagine você que, quando eu ouço um bumba-meu-boi, uma chegança, lá em Irará, faço dez músicas só com aquela energia. É a alma que está naquilo, são séculos que estão naquilo. Agora, qual é o americano que vai ouvir isso e vai dizer honestamente: “Está bom, estou fazendo isso influenciado”. Imagine você que a alma do povo do Maranhão foi reunida – a alma, quinhentos anos de sofrimento e arte. Sofrimento não é arte, mas tudo bem, o nordestino fez arte com o sofrimento, e a governadora pegou quinhentos anos de sofrimento e arte, aquelas escalas estranhas, aqueles instrumentos desafinados, aquela microtonalidade, que o papa proibiu, que a música ocidental foi proibida de praticar desde o segundo Concílio de Trento, em mil quinhentos e tanto que nós não temos microtonalidade e o Nordeste faz isso, o Norte e o Sul. Há todos aqueles detalhes, todas aquelas formas estranhas, todos aqueles procedimentos que vêm de outra metafísica e, logo, é outra estética. Tudo isso para os americanos ouvirem e dizerem: “Eu quero, eu não quero”. Mas será possível, meu Deus, que a alma do Maranhão foi vendida!

Regina Porto – Você não gosta muito de falar em ressentimentos quanto à sua “segunda morte” nos anos 70, você sente este momento como uma espécie de acerto de contas? Consagrado nos Estados Unidos, você trouxe toda essa onda de modismo de música brasileira lá, o resgate dos Mutantes e da Tropicália; tudo isso quem começou foi você, nos Estados Unidos…

Tom Zé – Pode ser uma tese. Considere isso.

Regina Porto – Não, é um fato! Começou com você e depois, por sua causa, foram pesquisar o tropicalismo e caíram nos Mutantes e reeditaram isso em discos etc. etc. Minha pergunta é: tem revanche ou não?

Tom Zé – Eu aceito, mas lhe peço: aceite como tese. Se é revanche? Olha! Um lado pusilânime meu pode ver assim. (risos) Mas ele é derrotado tão rapidamente por meu prazer de ver! Bom, eu não sou candidato a nada pra dizer isso, né, não vou ser nada. Não sei, quando me oferecerem 200 milhões para fazer uma propaganda de cachaça, se vou aceitar ou não. Eu ainda estou em observação. (risos) Estou de quarentena, então posso dizer qualquer bobagem. Eu tenho solidariedade e amor, por exemplo, em Irará penso nas pessoas. Isso é tão ridículo: solidariedade tá fora de moda. E por isso eu digo, quando fui estudar, comi graças a uma bolsa de estudos. Quando a revolução de 1964 estourou, eu ia sair da escola. Aí, Ernest Widmer, o suíço, me chamou, pra surpresa minha, e disse: “Você vai sair da escola?” Falei: “Vou”. Fiquei admirado de ele saber, eu não era nada lá. E vim saber, através dele, que tinha passado em primeiro lugar no vestibular. E ele me disse: “E se eu lhe desse uma bolsa?” Porque os alemães lá catam não é gênios, é possibilidade de trabalhadores. Lá, é um negócio humilde da desgrama, com todo esse dinheiro que eles gastam. Eu disse: “É claro que eu fico”. Ele aí disse: “Vou lhe dar 20 cruzeiros”. Então, a pensão era 15, o restaurante universitário era nada e eu vivia de 5 cruzeiros. O regulamento universitário dizia assim: dentro de dez anos você vai pagar o que comeu aqui. Quando eu vou ver, dez anos depois, eu aqui na miséria, não tinha dinheiro pra nada, no ostracismo, aí recebi uma conta e fiquei emocionado. Eu digo: “Nossa Senhora! É com isso que eu vou pagar aquela escola maravilhosa, aqueles professores encantadores, aquele negócio que salvou o meu lado de pessoa que quer aprender, que era um nordestino querendo compreender o Nordeste, depois da primeira compreensão proporcionada pelo Euclides da Cunha”? Eu ali disse: “Olha, não tenho dinheiro para pagar agora, mas vou pagar um pedaço agora e outro pedaço depois”. Num instante paguei, feliz da vida. E quero terminar de fazer umas coisas que ainda não consegui: os instrumentos experimentais, certas idéias, tomara que dê tempo, então fico trabalhando a vida toda, mas, se parar, eu quero ensinar, quero pagar ensinando. Por exemplo, se eu me oferecesse à governadora de lá pra ir mostrar aos meninos que aquilo é valoroso e que eles podiam desenvolver uma arte com aquilo – é claro que iam aparecer axés, contra-axés, mas iam aparecer também bons artistas. E artista do axé também não quer dizer mau artista sempre, mesmo porque é emprego. Eu respeito tudo, porque senão eu nem vivia nesse diabo desse governo. Então é isso, não tem retaliação, não tem revanche. Sabe o que é que tem? Eu estou feliz, ora meu Deus! Que diabo, eu estava com tanta raiva de tanta coisa, e agora parece que fui feliz a vida toda. Então está bom: eu sou feliz a vida toda! Olha aí: “O Pai da Invenção”. Vocês bem sabem o que isso significa na América (aponta matérias de jornais americanos que o exaltam). As “Mães da Invenção” é uma coisa inventada pelo Frank Zappa (Mothers of Invention era a orquestra de Zappa) e aqui o nego me bota o título de “Pai da Invenção”. O New York Times gasta páginas para meu show nos Estados Unidos e o diabo. Então, o que é que eu queria dizer com isso? Porque isso, por si só, não vale nada. Eu queria dizer que talvez eu fosse capaz de chegar ao Maranhão e chamar todos os grupos, a gente registrava tudo em filme e em gravação, e aí começava: vamos fazer grupos de estudo. Na Bahia tem um negócio chamado Projeto Axé, uma organização não-governamental que não tem nada a ver com axé, ao contrário, que me consultou esta semana para saber se era possível os meninos com que eles trabalham ter oportunidade de fazer um tipo de música outro, com liberdade. Não é ir logo pra cima do caminhão de trio elétrico. E eu que conheço na Bahia uma coisa chamada. Uma coisa de percussão que não tem nada a ver com aqueles grupos, uma coisa maravilhosa. Quer dizer, lidar com tudo o que é em princípio embrionário. A arte é sempre assim: o embrião da coisa artística está sempre no limbo, entre o ridículo e o brilhante. E eu só trabalho aí. Eu só trabalho correndo risco. Não é heroísmo nem nada. E esses meninos fazem isso: Issucatasson. Então eu falei com essas pessoas de lá do Projeto Axé que procurassem esse tipo de coisa. Vamos dizer que eu tivesse oportunidade de ensinar lá no Maranhão. Não preciso de muita coisa: preciso de um quarto para trabalhar, sossego, estar bem com Neusa, enfim, eu gostaria de ensinar. É isso.

BATERISTA MAIS DÉBIL MENTAL DA HISTÓRIA

Keith John Moon foi o baterista da banda de rock britânica The Who. Moon é considerado por muitos músicos como um dos melhores e certamente o mais revolucionário baterista de rock and roll de todos os tempos. A maioria dos bateristas contemporâneos de Keith, como Neil Peart, Mitch Mitchell, John Bonham e Ginger Baker, o apontam como uma influência primordial.

O próprio Moon aprendeu a tocar com um dos bateristas mais barulhentos de sua época, Carlo Little. Seu estilo pouco ortodoxo e chamativo era apenas ultrapassado por seu inato senso rítmico.

THE WHO
Inicialmente Moon tocava no mesmo estilo de bandas norte-americanas de surf rock e R&B, utilizando ritmos e preenchimentos de ambos os gêneros, mas tocando mais alto e com muito mais autoridade. Ele também foi bastante influenciado pelo baterista de jazz Gene Krupa.

thewho.jpg

Inspirado numa conversa que teve com Ginger Baker, Moon passou a usar um kit de bateria duplo no final de 1965. Ele se livrou completamente do chimbau, baseando sua ritmação no bumbo duplo e nos pratos de condução e ataque. No Who, o guitarrista Pete Townshend mantinha o tempo, já que trabalhava de maneira acentuadamente rítmica, enquanto Moon e o baixista John Entwistle solavam no topo desta base.

As composições de Townshend ganhavam vida nova após ele apresentá-las a Moon e Entwistle, que transformavam as músicas em algo completamente novo e inesperado com suas técnicas distintas de tocar.

No começo da carreira do The Who a banda adquiriu a reputação de destruir seus instrumentos no final de cada show. Moon demonstrava um zelo particular quanto a esta atividade, chutando e quebrando sua bateria com vontade.

DESTRUIDOR

moon2.jpg

Moon não tardou a ganhar a reputação de ser uma personalidade destrutiva. Ele era conhecido por acabar com quartos de hotel, casas de amigos e até mesmo sua própria residência, jogando com frequência móveis pelas janelas e destruindo banheiros com fogos de artifício.

Estes atos eram quase sempre provocados pelo consumo de drogas e álcool mas, na maioria do tempo, Moon estava simplesmente dando continuidade ao estilo de vida pelo qual se tornou famoso.

Uma das histórias mais conhecidas narra a festa de seu 21o. aniversário: na ocasião, ele conduziu um Rolls-Royce direto para dentro de uma piscina – trata-se de uma controvérsia a veracidade ou não dos fatos, com Tony Fletcher, biógrafo de Moon, negando o episódio, enquanto Roger Daltrey afirma ter presenciado o prejuízo de 50 mil dólares.

Mas devido a seu bem conhecido comportamento, não é difícil imaginar como uma história como essa pôde ser propagada. Em 1970, Moon se envolveu em um incidente na saída de um pub em Londres, quando seu motorista e guarda-costas, Cornelius “Neil” Boland, foi atropelado e morto.

Boland havia saído do carro para tentar conter um tumulto quando foi derrubado; Moon, desesperado, guiou para longe dali, só descobrindo quilômetros mais adiante o corpo do motorista preso nas engrenangens do automóvel. Embora um subsequente processo judicial tenha declarado a inocência de Moon, o baterista se culparia pelo acidente pelo resto de sua vida.

O apetite de Moon pela vida alucinada custaria posteriormente a deterioração de suas habilidades na bateria e a confiança de seus companheiros de banda na sua capacidade como instrumentista.

FORA DO WHO
Embora o trabalho com o The Who dominasse a carreira de Moon, ele chegou a participar de alguns projetos paralelos. Em 1966, Keith juntou-se ao guitarrista Jeff Beck do Yardbirds e com os futuros Led Zeppelins Jimmy Page e John Paul Jones para gravar uma instrumental, “Beck’s Bolero”, lançada no final daquele mesmo ano.

Em 1975 ele lançou seu primeiro e único álbum solo, uma coleção de covers de canções pop chamada Two Sides of the Moon. Curiosamente Moon resolveu assumir o papel de cantor, enquanto a bateria foi relegada a outros músicos, como Ringo Starr e Jim Keltner.

Em 1971 Moon fez uma participação especial no filme 200 Motels de Frank Zappa. Ele voltaria às telas com That’Il Be the Day de 1973, e também no filme Tommy, de 1975.

MORTE

moon.jpg

A última noite de Keith Moon foi como convidado de Paul McCartney na estréia do filme The Buddy Holly Story. Depois de jantar com Paul e Linda McCartney, Moon e sua namorada, Annette Walter-Lax, deixaram a festa mais cedo e retornaram a seu apartamento em Curzon Place, Londres.

Ele morreu dormindo, consequência de uma overdose do medicamento que ele estava usando em seu tratamento contra o alcoolismo. O laudo do legista apontou 32 pílulas de Heminevrin em seu organismo, algumas delas ainda não dissolvidas.

O apartamento na Curzon Place havia sido emprestado a Keith por seu amigo Harry Nilsson. Coincidentemente, “Mama” Cass Elliott (vocalista do The Mamas and The Papas) morrera no mesmo apartamento quatro anos antes. Amargurado com a perda de dois amigos, Nilsson nunca mais retornou ao local, posteriormente vendendo o apartamento a Pete Townshend.

ANACRÔNICA

anac.JPG

Em abril de 2005, na cidade de Curitiba, três amigos se reuniram em um novo projeto chamado Anacrônica. Marcelo Bezerra, Marcelo França e Bruno Sguissardi, ex-integrantes da banda Tetris, viram a necessidade de mais um integrante e chamaram Sandra Piola, que fazia parte da banda Phonograma. Gravaram o EP intitulado “Deus e os loucos”, com quatro canções próprias que podem ser baixadas no site da banda.

“O single abre com “Delorean”; pegada fodástica com a vocalista Sandra Piola soltando o verbo logo de cara: ‘Quanto vale aquilo que eu não tenho? Quanto custa a minha vida pra você’. É quando o Bruno revela a sua veia poética: ‘e o que faço com meu coração que só quer aquilo que não tem… por isso pisa em mim’. Refrão e solo de guitarra bem colocados e econômicos.

Aí vem o hit total, a faixa-título ‘Deus e os Loucos’. Harmonia vocal perfeita e melodia pop viajandona, com o baixo de Marcelinho na linha Paul McCartney (depois que deixou Hofner no case e mandou ver no Rickenbacker), harmonizando com a bateria de Marcelo Bezerra ‘Gordo’ e sua levada irresistível. Aliás, a cozinha chama muito a atenção, pela variação rítmica e sintonia que pouco se vê nos jovens grupos de rock. Excelente composição. Ah… se as rádios não fossem tão jabazentas!

Na seqüência a maior surpresa. A música ‘Vestígios’ vem carregada de swing e pegada rock na dose certa, com backing vocals cheios de lalalala!!! Ohh! Ohh! Muito legal a letra e a linha melódica, com mudanças de acordes e ritmos que prendem o ouvinte.

A última. ‘Totem’ já começa como um tapa na orelha! Guitarras pesadonas muito criativas e timbradas com cuidado. O baixo e a batera parecem rolos compressores esmagando e alinhando ao mesmo tempo. Sandra se mostra dentro do som e cheia de atitude no verso final ‘… não há nada de novo, mas hoje eu descobri que a vida não é feita como eu quero! Que a vida não foi feita como eu quis.. ser sincero… ser feliz!!!’ Visceral!!!”

(Fabio Elias)

One Response to “Noises”

  1. cachorromolhado said

    Sempre que passo pela Augusta, pela Angélica ou pela Consolação, não consigo evitar de cantarolar “Augusta, graças a deus, graças a deus, entre você e a Angélica eu encontrei a Consolação…

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: